Em 2016, contamos a história da frustrante primeira exportação brasileira de pisos marmorizados. Contamos também sobre os escravos brasileiros na Argentina e sobre a Rua Etergran, em Conceição do Coité – BA. Agora, voltamos à tona com mais um capítulo dessa saga.
No início da década de 1990, o dólar paralelo valia muito mais do que o dólar oficial. Naquela época, a Etergran recebeu um sinal de 30% do contrato para a execução do Carrefour de La Plata, na Argentina. O pagamento foi feito pela construtora por meio de um cheque, que deveria ser trocado oficialmente.
Porém, como o diretor era sagaz, preferiu trazer o cheque para o Brasil e tentar trocá-lo com doleiros. Havia, entretanto, um pequeno detalhe: o cheque era nominal e só poderia ser trocado pela própria empresa na Argentina.
Esse cheque rodou por vários doleiros e houve até tentativa de depositá-lo na Suíça. Mas, enquanto toda essa novela se desenrolava, a exportação do piso deu errado, conforme contamos em 2016, e a Etergran acabou executando somente a mão de obra, aplicando um piso argentino mesmo.
Depois de muita briga com a construtora, o diretor da Etergran foi até Buenos Aires e entrou na agência bancária responsável pelo cheque, decidido a abrir uma conta para receber aquele “checão”.
Como o valor era bem alto, o gerente ficou todo empolgado, tratando muito bem o pessoal da Etergran e fazendo todo o cadastro para a abertura da conta. Afinal, todos já estavam confiantes de que aquela bolada finalmente iria parar no bolso da empresa.
Porém, o gerente voltou para a sala com uma cara nada amigável e soltou a frase que entraria para a história da empresa:
“Lo cheque está rechazado!”
O cheque havia sido sustado pela construtora, e o valor acabou sendo utilizado para pagar despesas com os funcionários da Etergran que estavam trabalhando em La Plata.
“Lo cheque está rechazado” virou motivo de resenha por vários anos dentro da empresa. E o cheque, que não valia mais nada financeiramente, acabou ganhando outro valor: ficou guardado na carteira do diretor como uma espécie de amuleto. Volta e meia, ele o mostrava para alguém e contava novamente essa história.
E assim, mais um capítulo da história da exportação da Etergran ficou registrado.
Boas Obras!!!



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